Temporal deixa 5 mortos e quase 100 mil pessoas isoladas no Chile
Um temporal deixou 5 mortos e quase 100 mil pessoas isoladas no Chile devido a bloqueios de estradas, segundo um balanço divulgado nesta segunda-feira (20) pelo governo do país, que decretou estado de catástrofe e mobilizou o Exército para trabalhos de resgate.
O fenômeno, que começou no sul do país, no último dia 15, castiga agora com particular intensidade as regiões desérticas de Coquimbo e Atacama, no norte, onde chuvas extremas são incomuns. Devido ao transbordamento de rios, estradas foram bloqueadas e algumas comunidades ficaram isoladas.
Há bairros "cheios de lama, inundados, pessoas que perderam suas casas, seus pertences, que estão muito aflitas", descreveu Cristóbal Juliá, governador de Coquimbo, localizada a 460 km de Santiago. Ele ressaltou que o último ano de chuvas intensas havia sido 1997. "Desta vez, foi muito superior."
O presidente chileno, José Antonio Kast, decretou estado de catástrofe na região, o que permite enviar militares, restringir a liberdade de circulação e enviar ajuda mais rapidamente. A situação de emergência já resultou em 5 mortos, 4 desaparecidos e mais de 1.100 residências destruídas ou com danos maiores.
- Fenômeno 'anormal e extremo' -
Em Coquimbo, as inundações, a lama e os cortes de energia causaram cortes no abastecimento de água potável. "O que normalmente chove em um mês, caiu ontem em uma hora, o que nos leva a classificar este evento como de precipitações anormais e extremas", declarou hoje o vice-ministro do Interior, Máximo Pavez.
Arnaldo Zúñiga, da Direção Meteorológica do Chile, destacou que há duas décadas o país não enfrentava uma tempestade tão extensa e com tanta chuva. Cerca de 150 mil pessoas continuavam sem luz, segundo o Ministério da Energia.
"A situação superou todas as expectativas. Nossa infraestrutura foi danificada e tivemos que retirar nossa equipe de algumas instalações", disse Andrés Nazer, gerente regional da empresa Aguas del Valle.
Devido às fortes ondas e rajadas de vento superiores a 100 km/h, dezenas de portos em todo o país restringiram algumas de suas operações como medida de precaução na semana passada.
I.Wroblewski--GL