Líbano trabalha por "retirada total" de Israel, afirma premiê
O Líbano trabalha por uma "retirada total de Israel", afirmou nesta quarta-feira (22) o primeiro-ministro Nawaf Salam, durante visita à cidade do sul do país onde o Exército libanês se posicionou no dia anterior, em cumprimento a um acordo firmado com Israel.
A declaração ocorre um dia após a reunião do presidente libanês, Joseph Aoun, com seu par americano, Donald Trump, na Casa Branca, ocasião em que fez comentários semelhantes.
"Continuaremos mobilizando esforços políticos e diplomáticos para alcançar uma retirada total de Israel do sul", declarou o chefe de governo, depois de hastear a bandeira libanesa em Zawtar Al Garbiya, uma das três "zonas-piloto" previstas no acordo tripartite entre Líbano, Israel e Estados Unidos para pôr fim ao conflito.
Esse deslocamento do Exército libanês representa o primeiro teste do acordo, cujo objetivo é a retirada gradual das forças israelenses do sul do Líbano e o desarmamento do movimento pró-Irã Hezbollah.
No entanto, tropas israelenses continuam realizando ataques esporádicos contra localidades próximas.
A Agência Nacional de Notícias (NNA), órgão oficial de imprensa do Estado libanês, informou nesta quarta-feira sobre ataques com drones contra Nabatiye al Fawqa e a região de Khardali, além de bombardeios sobre a estratégica cadeia montanhosa de Ali al Taher.
As tropas israelenses "realizaram uma incursão na região de Dubieh", perto da cidade de Shaqra, próxima à fronteira, e "hastearam a bandeira israelense no histórico Castelo de Dubieh", informou a NNA.
O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salame, respondeu na rede social X que o país "não poupará esforços para restabelecer sua soberania" sobre os castelos localizados no sul.
As Nações Unidas estão prestes a incluir cinco desses castelos do sul do Líbano na lista de patrimônios mundiais ameaçados, enquanto os membros da Unesco se reúnem na Coreia do Sul.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos havia anunciado na noite de segunda-feira que o Exército libanês havia começado a garantir a segurança em Zawtar Al Garbiya e nas aldeias de Froun e Srifa.
Em meio à implementação desse acordo, o presidente Donald Trump prometeu na terça-feira ajudar "muito" o Líbano, ao receber na Casa Branca seu par libanês, Joseph Aoun.
"Precisamos apoiar as FAL", disse Aoun, referindo-se às Forças Armadas Libanesas. "Sem as FAL, tudo desmoronará", acrescentou, ao falar sobre a implementação do que foi acordado entre as três partes.
R.Zakrzewski--GL