Irã promete manter bombardeios no Oriente Médio enquanto EUA não interromper ataques
O Irã prometeu, nesta quinta-feira (23), manter seus bombardeios no Oriente Médio enquanto os Estados Unidos não interromperem seus ataques, em um momento de ampliação da guerra com a ofensiva dos rebeldes huthis do Iêmen no Mar Vermelho.
As hostilidades foram retomadas no início deste mês após um cessar-fogo de algumas semanas, e voltaram a mergulhar a região e os mercados de energia no caos.
Os huthis, aliados da república islâmica, reivindicaram ataques contra dois petroleiros sauditas depois de declarar um bloqueio aos portos do reino.
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira: o Brent, referência mundial, avançou 4% e chegou a 97,80 dólares (499,73 reais) por barril, reacendendo temores de uma escalada da inflação e desaceleração do crescimento em todo o mundo.
Jordânia e Kuwait informaram ter interceptado projéteis, enquanto o exército do Irã e sua Guarda Revolucionária anunciaram golpes contra alvos militares americanos em ambos os países.
"As represálias das forças armadas continuarão enquanto prosseguirem os ataques dos Estados Unidos contra a infraestrutura e as zonas costeiras do país", afirmou o porta-voz das forças armadas iranianas, Mohammad Akraminia, segundo a televisão estatal.
- "Olho por olho" -
Essas hostilidades ocorreram após novas ofensivas americanas contra instalações militares da república islâmica.
O Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom) informou sobre sua décima segunda noite consecutiva de ataques para "enfraquecer ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros civis e navios comerciais que transitam pelas águas regionais".
Na quarta-feira, o presidente Donald Trump advertiu que seu país bombardeará a infraestrutura civil iraniana sempre que Teerã disparar contra embarcações em Ormuz, devido à importância desse estreito no trânsito mundial de hidrocarbonetos.
"Cada vez que a República Islâmica do Irã disparar contra um navio no Estreito de Ormuz, (...) os Estados Unidos bombardearão e destruirão UMA PONTE OU UMA USINA ELÉTRICA", escreveu o republicano nas redes sociais.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã responderá da mesma forma: "Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho”.
Os meios de comunicação estatais iranianos informaram nesta quinta-feira que um ataque americano matou duas pessoas em Shalamcheh, na fronteira com o Iraque.
Também relataram que dois mísseis americanos atingiram Bushehr, sede da única usina nuclear civil do país e alvo frequente de Washington.
- Huthis intervêm -
Os huthis iemenitas atacaram na quarta-feira, com mísseis e drones, dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, o Encelia e o Layla, concretizando assim a sua ameaça de bloquear o gigante petrolífero Arábia Saudita nessas águas, que servem de rota alternativa a Ormuz.
A agência britânica de vigilância naval UKMTO indicou que o capitão de um navio-tanque informou ter sido atingido por um projétil desconhecido, o que provocou um incêndio que a tripulação estava combatendo.
Riade confirmou que o Encelia foi atingido, sem fazer comentários sobre o outro petroleiro.
Ainda não está claro até que ponto os huthis poderiam impor uma paralisação, mas a ameaça poderia agravar o impacto do bloqueio que o Irã mantém em Ormuz.
A Guarda Revolucionária afirmou nesta quinta-feira ter impedido a passagem de três petroleiros por Ormuz enquanto Washington e Teerã disputam o controle dessa rota por onde transitava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra.
À margem de uma cúpula do Sudeste Asiático nas Filipinas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o Irã havia enganado os huthis para que atacassem o tráfego no Mar Vermelho.
"Os huthis, em geral, foram inteligentes e se mantiveram à margem durante todo o conflito, mas agora, ao que parece, deixaram-se enganar e partiram para cima da Arábia Saudita e de seus navios", avaliou.
Omã, mediador na prolongada guerra entre huthis e Arábia Saudita, afirmou que trabalha para retomar as conversas entre as partes, e expressou "grande preocupação" com a situação no Mar Vermelho.
D.Cieslak--GL