América Latina abre passagem na Semana da Moda de Paris
Estilistas de Brasil, Colômbia, Argentina e México apresentam suas criações à margem da Semana da Moda de Paris, com a ajuda de várias plataformas que buscam levar o design latino-americano ao topo.
A Cidade Luz segue sendo, juntamente com as passarelas de Milão, Londres e Nova York, a meca da moda, mas também um lugar de difícil acesso, onde a concorrência é feroz.
Poucas são as marcas latino-americanas que conseguem abrir espaço no glamouroso programa oficial parisiense, ao lado de grifes tradicionais como Chanel, Dior e Louis Vuitton.
Entre elas, destaca-se a uruguaia Gabriela Hearst e sua moda sustentável, que há anos faz parte da seleta lista. E o americano Willy Chavarria, de origem mexicana, que recentemente trouxe seu estilo chicano aos desfiles da capital francesa.
Diante desta reduzida presença de criadores latino-americanos, plataformas como a LATAM Fashion Circle, fundada este ano, e a Fashion Designers of Latin America, que opera sobretudo nos Estados Unidos há duas décadas, querem dar visibilidade em Paris a estilistas da região.
A LATAM Fashion Circle surge de "se constatar que em Paris a moda latino-americana está claramente sub-representada", diz à AFP o impulsionador desta iniciativa, o colombiano Dan Silva, explicando que em seu entorno ninguém era capaz de citar um estilista da região.
Seu programa inclui uma dezena de estilistas, da colombiana Paula Mendoza, cujas joias enfeitaram Zendaya e Dua Lipa, à marca franco-argentina Cachí, centrada em alfaiataria.
- Talento -
A Fashion Designers of Latin America também nasceu com a finalidade "de reconhecer o talento dos estilistas emergentes latino-americanos, que têm um talento extraordinário, mas não necessariamente têm os recursos ou os contatos para chegar a se apresentar em passarelas internacionais", explica sua fundadora, a dominicana Albania Rosario.
Seu desfile, nesta quarta-feira (30), em Paris, reuniu, entre outros, o brasileiro Ivanildo Nunes, com seus sofisticados vestidos pretos cheios de plumas e pedraria, e os mexicanos Michelle Espinoza e Jesús de la Garsa.
Estes estilistas, muitos já consolidados em nível local, descobrem, graças a estas redes, como abrir passagem no âmbito internacional.
"São as primeiras etapas de sua conquista do mercado fora de seu país de origem", diz Silva, radicado em Paris há duas décadas.
Sua plataforma acompanha criadores antes da apresentação, com conselhos sobre estratégias comerciais, preços, imagem... E também busca que as marcas evoluam depois da Semana da Moda, tentando dar visibilidade às peças em algum tapete vermelho, por exemplo.
Nos próximos quatro dias, por seu showroom instalado no bairro cosmopolita do Marais, passarão profissionais e clientes para conhecer estes criadores latino-americanos.
- "Ser latino hoje" -
Alguns deles já têm um bom vínculo com Paris, como os colombianos de La Petite Mort, cuja ideia surgiu quando um de seus fundadores estudou na capital francesa, em 2017.
"Nossa marca é essa mistura do que representam as alfaiatarias, do que aprendemos em Paris, e como levamos este universo ao colombiano [...], com toda a tecelagem e o saber fazer artesanal", explica Jonathan Cortez, ao lado de seu sócio, Andrés Durán, a respeito de sua empresa, que conta com o cantor Maluma entre seus clientes.
A renomada joalheira Paula Mendoza, cujas peças adornaram Beyoncé e Zendaya, retorna a Paris depois de cinco anos, mas desta vez integrando esta plataforma conjunta.
"É muito diferente estar sozinha e se impulsionar com um coletivo de designers em que todos nós já temos trajetória e nome", conta a criadora colombiana. "A união faz a força", acrescenta.
Estas iniciativas coletivas também mostram a diversidade criativa da região, longe dos clichês.
"Nós somos de identidade latina e não somos todos iguais. E temos, cada um, um mundo interessante", insiste Camila Milessi, da marca argentina Kostüme, de moda contemporânea. "Nós viemos abrir a porta sobre o que é ser latino hoje, e o que é a cultura latina hoje".
G.Grabowski--GL