Zelensky obtém apoio europeu em meio à nova disposta com Trump
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pediu nesta sexta-feira (16) aos seus aliados europeus 70 bilhões de euros (396 bilhões de reais) adicionais para financiar a guerra contra a Rússia em 2027 e agradeceu pelo apoio em um momento difícil de sua relação de altos e baixos com seu homólogo americano, Donald Trump.
Ao ser questionado sobre sua relação difícil com o presidente americano, Donald Trump, Zelensky evitou críticas diretas.
Quando um jornalista perguntou se ele acreditava estar sendo usado como bode expiatório devido às dificuldades enfrentadas por Trump antes das eleições de meio de mandato de novembro nos Estados Unidos, Zelensky respondeu com um sorriso e permaneceu em silêncio.
"Esta é a minha resposta", limitou-se a dizer durante uma cúpula em Bruxelas.
O presidente americano classificou como uma "vergonha" a retomada dos ataques aéreos ucranianos contra refinarias russas.
"É mais difícil trabalhar com Zelensky do que com [o presidente russo, Vladimir] Putin", afirmou Trump, que já pediu várias vezes a renúncia do líder ucraniano e não esconde sua admiração pelo presidente russo.
- "Em negociações" -
Na quinta-feira, a Ucrânia foi atacada por mil drones, afirmou Zelensky.
"Mil! Mas o lado americano afirma que é difícil conversar com Zelensky e que é menos difícil lidar com Putin. Fala sério, por favor", comentou diante dos jornalistas.
No entanto, ele teve o cuidado de não virar as costas para o governo Trump.
O presidente ucraniano declarou à imprensa que seus colaboradores estão "em negociações com a equipe de negociação americana" e que agendarão uma reunião.
Ele agradeceu aos dirigentes europeus, a quem descreveu como "verdadeiros líderes, ao nosso lado desde o início desta guerra".
Na manhã desta sexta-feira, os líderes dos 27 países garantiram seu apoio a Zelensky, que solicitou mais recursos.
"A guerra custará 155 bilhões de euros (877 bilhões de reais) no próximo ano. E precisamos de pelo menos mais 70 bilhões de euros da parte de vocês", declarou Zelensky diante dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, segundo o discurso publicado na rede social X.
"É um número realista. E peço que encontrem esse apoio. Isso nos ajudará a conter a Rússia", acrescentou.
- "Não é o momento" -
"Não é momento de retirar nosso apoio à Ucrânia. Não é momento de aliviar as sanções contra a Rússia", declarou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse-lhe: "Uma coisa está absolutamente clara: não suspenderemos nenhuma sanção até que a Rússia tenha interrompido a guerra".
Zelensky intensificou as reuniões desde sua chegada à capital belga, na quinta-feira.
Conversou com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, a quem explicou a importância de reabastecer a Ucrânia com mísseis interceptadores e munições, diante da intensificação dos ataques russos.
A Europa tem munições suficientes para que a Ucrânia possa resistir a este inverno? "Sim, segundo os números de que disponho", assegurou Zelensky nesta sexta-feira, sem dar detalhes.
Vários países europeus, entre eles a Grécia, dispõem de baterias de mísseis Patriot, de fabricação americana, considerados por Kiev como os únicos capazes de interceptar os mísseis balísticos russos.
Zelensky também ressaltou a necessidade de manter a pressão sobre Moscou.
Vladimir "Putin ouvirá os Estados Unidos se eles realmente exercerem pressão sobre ele e deixarem algo muito claro: ou ele escolhe a paz, ou deixa de receber dinheiro para sua guerra", frisou.
- O papa fala com Putin -
O papa Leão XIV, que se recupera de uma cirurgia de câncer de pulmão, falou por telefone com Putin e pediu um cessar-fogo na cidade ucraniana de Oleshki, situada entre as duas partes em conflito às margens do rio Dnieper, informou o Vaticano nesta sexta-feira.
"Ele pediu uma trégua para permitir o fornecimento de ajuda humanitária e sanitária e a evacuação voluntária e segura da população civil" nesta cidade da região de Kherson (sul), indicou a Santa Sé.
- "Uma surpresa desagradável" -
Nos últimos dias, Kiev também reclamou que seus aliados não a alertaram sobre os ataques russos iminentes e sobre restrições no uso dos serviços de satélite da empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, serviços que são cruciais para o seu exército.
A conexão ainda não foi totalmente restabelecida, disse Zelensky nesta sexta-feira.
"Foi uma surpresa muito desagradável e perigosa", lamentou.
Na quinta-feira, Musk afirmou que qualquer limitação no sistema de comunicações era responsabilidade da Casa Branca, mas, nesta sexta-feira, uma autoridade americana garantiu que Trump não ordenou a redução dos serviços de satélite da Starshield para a Ucrânia.
"O presidente nunca fez nenhuma solicitação desse tipo", afirmou.
A Ucrânia utiliza o Starshield, o serviço de satélite de nível militar da Starlink, para suas comunicações no campo de batalha, para ataques de médio alcance em território ocupado pela Rússia e para seus drones interceptadores.
E.Krawczyk--GL