Província de Alberta rejeita organizar referendo de independência do Canadá
A província canadense de Alberta rejeitou por ampla maioria um plano para organizar um referendo de independência, segundo resultados divulgados nesta terça-feira (20), uma derrota para os separatistas, que tinham entre seus apoiadores alguns aliados do presidente americano Donald Trump.
A emissora pública CBC e o canal privado CTV projetaram uma ampla vitória para o campo federalista. Segundo resultados oficiais baseados na apuração de mais de um terço das cédulas, mais de 76% dos eleitores votaram a favor da unidade nacional.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou na rede social X que os cidadãos de Alberta "fizeram uma escolha clara".
"Eles escolheram a unidade para construir juntos e cuidar uns dos outros", destacou o chefe de Governo, que defendeu a necessidade de estabilidade nacional, enquanto o presidente americano Donald Trump trava uma guerra comercial e não para de anunciar ameaças de anexação.
As pesquisas indicavam que menos de 25% da população da província do oeste do país deseja a independência.
A Autoridade Eleitoral de Alberta informou que 1,4 milhão dos 3,1 milhões de eleitores registrados votaram de maneira antecipada.
"Foi incrível ver o entusiasmo e a determinação dos canadenses", disse Thomas Lukaszuk, que dirige o 'Forever Canadian', grupo que fez campanha pela unidade nacional em toda a província.
A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, conservadora, disse que votou contra a independência, mas que convocou o referendo para encerrar uma questão que dividia a província.
Se a maioria votasse a favor da separação, ela prometeu que avançaria com o processo para um referendo vinculante. Em contrapartida, se os federalistas vencessem, Danielle afirmou que a questão da secessão deveria ser considerada concluída.
- "Perigoso" -
Carney, que cresceu em Alberta, qualificou o referendo como um sinal "perigoso", enquanto Trump prossegue com uma guerra comercial contra seu país e faz ameaças de anexação destinadas – segundo o primeiro-ministro – a abalar a determinação canadense.
Alberta possui a quarta maior reserva comprovada de petróleo do mundo. O impulso independentista da província despertou interesse entre os aliados de Trump.
Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo e apoiador de primeira linha de Trump, publicou no X este mês que Alberta "deveria se separar". Líderes separatistas também compareceram a reuniões no Departamento de Estado americano e se encontraram com políticos republicanos.
Grande parte do impulso separatista de Alberta é consequência do descontentamento com a gestão do setor energético por parte de Ottawa. Muitos habitantes de Alberta detestavam o antecessor de Carney, Justin Trudeau, a quem acusavam de tentar frear a produção de petróleo para promover sua agenda climática.
"Se você quer que eu aponte quem é responsável pelo sentimento separatista, acho que é Justin Trudeau", declarou a primeira-ministra Danielle Smith ao podcast Canadaland neste mês.
Em um comício separatista em Edmonton no sábado, Sandy Martel, de 61 anos, disse que as pessoas ligadas à indústria do petróleo se sentem "roubadas, enganadas e maltratadas".
- Tática -
Analistas compararam as táticas de Danielle Smith — de encerrar a questão da separação com um referendo — com as do ex-primeiro-ministro britânico David Cameron, que esperava resolver o debate sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia por meio de uma votação.
O Reino Unido acabou saindo da UE no processo conhecido como Brexit. O referendo de segunda-feira incluiu 10 perguntas, entre elas várias relacionadas à imigração.
No entanto, a principal era a número 10, que pediu aos eleitores para escolher entre: "Alberta deve continuar sendo uma província do Canadá?" ou se a província deve iniciar o processo para um referendo vinculante sobre "se Alberta deve ou não se separar".
M.Stefanski--GL