Irã ameaça com mais ataques e aguarda resposta dos Estados Unidos sobre Ormuz
O Irã intensificou sua retórica, nesta terça-feira (29), com mais ameaças de ataques contra instalações em todo o Oriente Médio, enquanto aguarda uma resposta dos Estados Unidos sobre seu plano para reabrir o Estreito de Ormuz.
O presidente americano, Donald Trump, rejeitou a proposta de Teerã, mas o ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou na segunda-feira que espera uma resposta oficial nos próximos dias.
Os combates diminuíram nas últimas semanas, apesar dos ataques de Teerã contra navios no estreito. Washington, por sua vez, privilegia a pressão econômica contra a República Islâmica.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta terça-feira que nenhuma infraestrutura da região estará a salvo de ataques se a segurança do país não for garantida.
"Em uma região na qual não possamos vender petróleo, ninguém mais venderá; ou, se não garantirem nossa segurança, nenhuma infraestrutura permanecerá a salvo", declarou Ghalibaf, que também preside o Parlamento iraniano, em um vídeo divulgado pela televisão estatal.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que espera uma resposta formal dos Estados Unidos à proposta de seu país de reabrir Ormuz, informou a imprensa estatal.
O Irã bloqueia o tráfego marítimo comercial através de Ormuz desde que a guerra começou, no fim de fevereiro, com os ataques americanos e israelenses contra seu território. Antes do conflito bélico, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam por esta via.
Washington respondeu com um contrabloqueio aos portos iranianos, em uma tentativa de impedir que Teerã transporte petróleo.
- Condições -
Os intermediários do Catar "apresentaram ideias e nós as discutimos; eles pretendem apresentar mais uma vez o assunto à parte americana, e depois nos comunicarão a resposta definitiva" de Washington, declarou Araghchi na segunda-feira.
O chefe da diplomacia iraniana, que está em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, afirmou que "os cataris esperam que isto seja resolvido" nesta terça-feira.
"A abordagem atual se concentra exclusivamente no Estreito de Ormuz. A reabertura do estreito depende do cumprimento de certas condições que comunicamos à outra parte", acrescentou.
Na semana passada, Araghchi e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner participaram de conversações, mas com resultados limitados.
Entre as condições prévias, o Irã exige um cessar-fogo de sete dias em todo o Oriente Médio, incluindo o Líbano, onde Israel bombardeia com frequência o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Também exige o desbloqueio dos ativos iranianos congelados no exterior, a suspensão das sanções sobre seu setor petrolífero e o fim do bloqueio naval americano contra seus portos.
As duas partes afirmam controlar Ormuz. O governo dos Estados Unidos afirma que os petroleiros conseguem atravessar o estreito, mas Teerã nega.
"Fazer passar às escondidas algumas poucas centenas de barris de petróleo (...) não significa que o estreito esteja aberto", declarou nesta terça‑feira Hossein Mohebi, porta‑voz da Guarda Revolucionária iraniana, o braço ideológico das Forças Armadas do país.
"Um estreito verdadeiramente aberto é aquele pelo qual, como no passado, passariam pelo menos 125 navios por dia, transportando no mínimo 20 milhões de barris de petróleo e derivados", disse.
Mas atualmente qualquer navio que tente "sofrerá danos: ou nós o atacamos ou ele colide com uma mina", acrescentou o porta‑voz.
C.Bak--GL